Dor ou Delícia?

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Hoje quero refletir com você sobre uma frase de Caetano Veloso que tem povoado minha mente ultimamente: “Cada um sabe a dor e a delícia de ser quem é.”

Pode até ser uma frase poética, mas, eu fico aqui pensando: será que sabemos mesmo?

Vivemos correndo de um lado para o outro, nos desdobrando pra viver ou sobreviver nesse mundo que exige cada vez mais de nós…

Quem não ouviu falar sobre o padre que declarou que estava lidando com a síndrome do pânico?  Quase todo mundo! Ele falou publicamente sobre a sua dor. Num programa que apresenta ele contou sobre a forma como ele tomou consciência do que pode ser uma das causas: o estilo de vida! Estava sobrecarregado.

E aí, você pode estar pensando: “a maioria das pessoas vive desse jeito e nem por isso tem síndrome do pânico!”

É verdade! Mas, essa mesma maioria, muitas vezes apresenta outros sinais de esgotamento e nem se dá conta: cansaço crônico, irritabilidade, baixa autoestima, imunidade baixa, apatia, dentre outros.

Talvez, a maioria de nós não tenha consciência de quem é por estar vivendo no modo automático! Não encontramos tempo nem pra olhar pro nosso interior, compreender nossas próprias dores e fazer florescer a melhor versão de nós mesmos.

Vivemos um tempo em que somos impulsionados a assumir cada vez mais obrigações, tarefas, responsabilidades e acabamos nos perdendo e nos preocupando demasiadamente com o que, muitas vezes, é dispensável. O que quero dizer é que desaprendemos a viver com leveza. Não desfrutamos mais dos pequenos e importantes momentos do dia a dia, porque estamos sempre atrasados, sempre correndo, sempre tendo que fazer algo.

O fato é que nós somos os únicos responsáveis pelas escolhas que fazemos e pelo que priorizamos nas nossas vidas. Se não escolhemos apenas o que é indispensável para o nosso dia, se assumimos compromissos que poderiam ser recusados, se não respeitamos nossos próprios limites, pode ser que, em algum momento, adoeçamos.

Adoecemos no corpo. Adoecemos na alma.  Adoecemos na espírito.

Somos cobrados o tempo todo por uma sociedade que precisa de tudo pra ontem, tudo perfeito, tudo na hora. Sentimo-nos pressionados o tempo todo, como se nunca fizéssemos o suficiente para corresponder às expectativas que são, na maioria das vezes, inalcançáveis.

Expectativas que colocam sobre nós e que nos sentimos obrigados a corresponder, porque não queremos frustrar ninguém.

Se estivermos atentos aos nossos limites, conseguiremos lidar com mais leveza, serenidade e simplicidade com os conflitos e com as adversidades que enfrentamos na vida.

Que estejamos abertos para pedir ajuda quando percebermos que não estamos dando conta sozinhos. O falar é terapêutico! E ser ouvido e compreendido sem julgamentos tem o poder de gerar autoconfiança, segurança e proximidade. Facilita a compreensão de si mesmo: É libertador!

E você, está pronto para compreender a dor e a delícia de ser quem você é?